segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Uma
Eu fui só uma
todas as vezes que ri e todas as vezes que chorei,
Fui só uma
todas as vezes que senti e também quando fingi.
E fui só uma
todas as vezes que acertei, ou então quando errei.
Mas, nas vezes em que amei...
nessas,
eu fui meia.
E, nas vezes em que parti...
...
eu não fui.
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texto: Nina Bogoni (eu)
imagem: peguei aqui
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Behind the mask
Por dentro dessas roupas caras, dessas calças rasgadas e desbotadas...
Embaixo dessas poses, dessas caras pintadas, dessas peles tatuadas...
Por dentro desses cílios postiços, dessas lentes de contato, dessas sobrancelhas arqueadas...
Embaixo desses cabelos tingidos, desses penteados modernos, dessas franjas cortadas...
...são todos iguais.
Por dentro desses carros do ano, dessas gravatas apertadas, desses paletós alugados...
Em cima desses bancos de couro, dessas cadeiras reclináveis, desses lençóis amassados...
Por dentro desses sorrisos amarelos, dessas lágrimas forçadas, desses beijos roubados...
Em cima desses sapatos de salto, dessas escadas de mármore, desses tapetes importados...
...são todos iguais.
Todos riem.
Todos choram.
E, à noite, sozinhos, todos têm medo do escuro.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
É doloroso ter a consciência de que se ama o passado...
Hoje eu saí da cama, finalmente...
Abri o olhos descrentes e joguei a coberta nos pés.
Desejei com todas as minhas forças que fosse noite, pois ontem vi uma reportagem dizendo que sol faz mal pra pele.
Procurei o chinelo com os pés cansados e tonteei ao levantar bruscamente.
Ao abrir a janela, senti a brisa fria no peito nu e os raios mornos de sol no rosto amassado...deliciosos fluxos de energia...
Lentamente, passo por passo, ganhei o quarto, examinando cada tábua da parede.
Se eu tivesse uma televisão, a teria ligado exatamente nesse momento, depois de examinar as paredes...
...
...
...é que tábuas são tão monótonas!
Cansada das paredes, tive consciência do meu estômago...e do quanto ele estava me causando desconforto.
Pois bem, que não se deve comer em horas de enjôo...por isso mesmo fiz um chá de camomila.
E ali fiquei, sentada na beirada da cama, me aquecendo aos raios de sol e tomando meu chá de camomila...
Pois dizem que chá de camomila faz bem pros nervos...
É, deve fazer...
Até pensei em abrir a porta e cumprimentar os vizinhos...mas quem haveria de querer me ver nesse estado?
Olha, seu vizinho, o senhor vai me perdoar, mas hoje eu cheguei à conclusão que sair da cama é inútil e doloroso.
Inútil porque dói e doloroso porque não serve pra nada!
Amanhã eu não saio! Não saio mesmo! Não adianta bater na porta!
E se o síndico perguntar por mim, diga que estou feliz: mergulhada na doce nostalgia dos meus sonhos...
Porque nostalgia é assim: dói.
Dói porque já passou...
Dói porque não dá pra voltar...
Dói porque não serve pra nada...
Dói porque hoje só me mantém adormecida.......e acordada ao mesmo tempo.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Alguns instantes de liberdade
Às vezes, você começa a perceber que as coisas que tem não são mais importantes do que as coisas que sente.
Você começa a olhar o mundo de outra forma e enxerga mais cores do que o normal. Aliás, o normal se torna tão monótono que você fica com uma vontade enorme de fugir dele!
Quando você olha para o lado e não vê ninguém, quando não ouve um único som, começa a se formar a oportunidade de sentir-se e entender-se de uma forma muito mais clara.
A solidão é linda e pacífica quando conseguimos nos livras das mágoas e das dores que nos acompanham. É uma fantástica oportunidade de sentir a energia que flui através do corpo e da mente.
Nessa fase de transição, o contato com a natureza é muito importante, aliás, passa a ser praticamente imprescindível.
O que temos q ter em mente é que chegará o momento, como em tudo que se vive, de fazer uma escolha: continuar desfrutando dessa paz envolvente, ou voltar para as obrigações de um modelo de vida imposto pela sociedade em que se vive.
Conciliar os dois modos de vida é impossível, creio eu. Talvez com algum punhado de prática e entendimento se consiga um certo equilíbrio, mas você nunca conseguirá atingir realmente a plenitude dos dois estilos.
A iminência da volta à "vida real" é um pouco triste, mas às vezes você ainda não está preparado para deixar tudo o que conhece para trás e recomeçar a vida com uma nova perspectiva.
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